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terça-feira, 21 de junho de 2016

Entendendo as emoções: Medo e Coragem, duas faces da mesma moeda



As histórias de ficção encantam a humanidade desde o início dos tempos porque revelam segredos escondidos no inconsciente. Embora interfiram em nosso jeito de ser, não raro, demoram a ser decodificados. Justamente lá, no inconsciente, por ser território selvagem, as sombras atuam e terminam por alterar nossas vidas. Através das aventuras imaginárias narradas nos livros ou nas telas, o herói enfrenta vilões perigosos, encontra dificuldades inesperadas, precisa superar limites, aprende com perdas e frustrações para no final encontrar o maior tesouro: ele próprio.
A ficção, no fundo, conta a história de cada um de nós disfarçada com outra roupa, cenário e maquiagem. A necessidade que temos do herói nasce ao identificarmos a coragem indispensável para enfrentar nossos dragões e permitir que o melhor em nós floresça. O guardião dessa ponte que todos precisam atravessar é o medo.
O medo é o pai de todas as sombras. O ciúme nasce do medo de que a pessoa amada nos abandone; a inveja vem do medo de que a vida do outro seja mais bonita que a nossa; a raiva nada mais é do que medo de olhar no espelho e enfrentar quem realmente somos; a mágoa surge no momento que nosso medo tenta nos defender das nossas próprias limitações; a vitimização nasce do medo de negar os desafios inerentes à evolução; a fuga da realidade é o medo de enfrentar a verdade. A lista é enorme, porém temos sempre o medo à espreita na tentativa de nos impedir a caminhar através da fantástica e infinita Estrada da Luz.
“As maiores batalhas são travadas dentro de nós”, costumava repetir o velho monge do mosteiro da montanha. Ignorar o cárcere o torna ainda mais cruel. Os heróis apenas são assim denominados porque ousaram enfrentar as suas próprias sombras, justo aquelas que mais tememos ou fingimos não existir. “Só há coragem onde antes existia o medo”, alertava. 
O medo surge do instinto animal de sobrevivência e pode nos ser útil para alertar de perigo próximo. Apenas isto, pois além disto o medo se torna sombra, domina e aprisiona nos porões dos sentimentos densos e pensamentos obscuros. Na prisão sem grades do medo, costumamos negar a cela por não enxergarmos o que nos limita, paralisa ou tira do caminho. Mais do que sexo, poder ou dinheiro é o medo que acaba por mover parte do mundo. Só que para o lado errado.
Tudo que a vida quer da gente é coragem. Coragem para mergulhar dentro de si, se conhecer por inteiro e se transformar. Deixar para trás ideias e atitudes ultrapassadas, inventar um novo jeito de ser. Coragem para aceitar e abraçar o caminho, após vislumbrá-lo. Depois, coragem para percorrê-lo. Nisto consiste a valentia de enfrentar o medo escondido nos labirintos escuros da alma com as lamparinas do amor e da sabedoria. Sim, nossas sombras são os grandes adversários a serem enfrentados, entendidos e transformados. 
A cada sombra iluminada é como se o herói – não esqueça, cada qual é o herói da própria história – adquirisse uma nova espada ou magia e ficasse mais forte para continuar rumo à missão de salvar a linda e amada princesa. Ou seja, lapidar a pedra da existência até que se revele o diamante da alma. Pura luz. É para isto que as histórias servem, é isto que as histórias querem nos revelar.
Repare que em alguns terrenos da vida já caminhamos com tranquilidade e despidos de qualquer medo. Situações que antes apavoravam, hoje estão superadas por completo, nos permitindo transitar sem maiores sustos ou tensão. Já não representam mais obstáculos. Significa que já tivemos coragem de enfrentar alguns de nossos medos. São dificuldades e traumas ancestrais, sociais ou culturais que impedem de dizer “sim” quando entendemos ser o correto, de falar “não” quando nos faz mal, de escolher livremente quem queremos ser e por onde seguir (mesmo que muitos, ainda assombrados por medos e preconceitos, gritem que estamos errados ou para recuarmos).
Enfim, de viver o melhor da nossa essência. Desde o medo do quarto escuro da infância até a enfrentar um superior no ambiente de trabalho que discordamos do seu modo de agir, mas calamos por recear perder o emprego ou, por temer conflitos, em estabelecer limites necessários na convivência familiar para encontrar a verdadeira paz no lar. Assim, aos poucos, conseguiremos afinar a percepção, desalgemar as escolhas e revelar a beleza que existe dentro de cada um de nós na exata medida que enfrentamos os medos e nos transformamos.“Cada momento deste significa uma batalha vencida. Neste instante sorria consigo em silêncio como forma de prece, você adquiriu um novo dom. Os medos são ritos de passagem, ou portais, que ultrapassados aprimoram e fortalecem o andarilho na grande travessia da vida. A coragem do herói reside na alma todos. Use-a”, ensinava o velho monge.
Autor: Yoskhaz 
Fonte: http://estaremsi.com.br/entendendo-as-emocoes-medo-e-coragem-duas-faces-da-mesma-moeda/

sábado, 7 de maio de 2016

CONSCIÊNCIA: O CAMINHO PARA ESCAPAR DO SOFRIMENTO




A maior parte do sofrimento humano é desnecessária. Ele se forma sozinho,
enquanto a mente superficial governa a nossa vida.

O sofrimento que sentimos neste exato momento é sempre alguma forma de não-aceitação, uma forma de resistência inconsciente ao que é.  No nível do pensamento, a resistência é uma forma de julgamento. No nível emocional, ela é uma forma de negatividade. O sofrimento varia de intensidade de acordo com o posso grau de resistência ao momento atual, e isso, por sua vez, depende da intensidade com que nos identificamos com as nossas mentes. A mente procura sempre negar e escapar do Agora. Em outras palavras, quanto mais nos identificamos com as nossas mentes, mais sofremos. Ou ainda, quanto mais respeitamos e aceitamos o Agora, mais nos libertamos da dor, do sofrimento e da mente.

Por que a mente tem o hábito de negar ou resistir ao Agora? Porque ela não consegue funcionar e permanecer no controle sem que esteja associada ao tempo, tanto passado quanto futuro, e assim ela vê o atemporal Agora como algo ameaçador. Na verdade, o tempo e a mente são inseparáveis.

Imagine a Terra sem a vida humana, habitada apenas por plantas e animais. Será que ainda haveria passado e futuro? Será que as perguntas “que horas são?” ou “que dia é hoje?” teriam algum sentido para um carvalho ou uma águia? Acho que eles ficariam intrigados e responderiam: “Claro que é agora. A hora é agora. O que mais existe?”

Não há dúvidas de que precisamos da mente e do tempo, mas, no momento, em que eles assumem o controle das nossas vidas, surgem os problemas, o sofrimento e a mágoa.
Para ter certeza de que permanece no controle, a mente trabalha o tempo todo para esconder o momento presente com o passado e o futuro. Assim, a vitalidade e o infinito potencial criativo do Ser, que é inseparável do Agora, ficam encobertos pelo tempo e a nossa verdadeira natureza é obscurecida pela mente. Todos nós sofremos ao ignorar ou negar cada momento precioso ou reduzi-lo a um meio para alcançar algo no futuro, algo que só existe em nossas mentes, nunca na realidade. O tempo acumulado na mente humana encerra uma grande quantidade de sofrimento cuja origem está no passado.

Se não quer gerar mais sofrimento para você e para os outros, não crie mais tempo, ou, pelo menos, não mais do que o necessário para lidar com os aspectos práticos da sua vida. Como deixar de “criar” tempo? Tendo uma profunda consciência de que o momento presente é tudo o que você tem. Faça do Agora o foco principal da sua vida. Se antes você se fixava no tempo e fazia rápidas visitas ao Agora, inverta essa lógica, fixando-se no Agora e fazendo visitas rápidas ao passado e ao futuro quando precisar lidar com os aspectos práticos da sua vida. Diga sempre “sim” ao momento atual. O que poderia ser mais insensato do que criar uma resistência interior a alguma coisa que já é? O que poderia ser mais insensato do que se opor à própria vida, que é agora e sempre agora? Renda-se ao que é. Diga “sim” para a vida e veja como, de repente, a vida começa a trabalhar mais a seu favor em vez de contra você.


Extraído do livro O poder do Agora de Eckhart Tolle

sábado, 5 de setembro de 2015

Ho'oponopono





"Eu limpo para estar na Presença de Deus. Uma vez lá, a Divindade me dará tudo que é perfeito e correto para mim. Eu só sei isso. Esta é a Meta da minha vida. Se  eu tenho qualquer meta ou objetivo, é estar na Presença de Deus."
Dr. Ihaleakalá Hew Len - 23 de Janeiro, 2008

Em Havaiano, Ho'o significa “causa”, e ponopono quer dizer “perfeição”, portanto Ho’oponopono significa “corrigir um erro” ou “tornar certo”.
Você pode através desse sistema se livrar das recordações que tocam repetidamente na sua mente (aquela conversa mental interna incessante - principalmente depois de situações estressantes e desagradáveis) e encontrar a Paz.
Sem os pensamentos se repetindo, sem crenças limitadoras, sem condicionamentos, sem as lembranças dolorosas, um espaço vazio se abre dentro de você.  O Ho’oponopono lhe permite soltar estas recordações dolorosas, que são a causa de tudo que é tipo de desequilíbrios e doenças. Na medida em que a memória é limpa, pensamentos de origem Divina e Inspiração ocupam o vazio dentro de você. A única coisa que devemos fazer é limpar; limpar todas as recordações, com quatro simples frases que abrangem tudo:
Sinto muito.                Me perdoe.                Te amo.                  Sou grato.

As frases estão relacionadas às quatro jóias de Jesus: 
Compaixão - Humildade - Amor -  Gratidão.

Lembrem-se, um problema é uma memória repetindo uma experiência do passado. O Ho’oponopono é um apelo a Divindade para cancelar as memórias que estão se repetindo como problemas. O Dr. Len mantém      essa frase em mente sempre; “A paz começa comigo”, é o que ele procura praticar embora ainda tropece vez ou outra.

Com o Ho’oponopono estamos assumindo a responsabilidade pelas memórias que compartilhamos com as outras pessoas. Pesquisas mostram que á todo momento existem 11 milhões de “bits” de informação em nossa volta, mas só percebemos 15 “bits”, e são em cima desses “bits” que julgamos as coisas! Portanto, não sabemos o que realmente está acontecendo. Então dizemos para a Divindade; “Se existe algo acontecendo em mim que me faça vivenciar as pessoas de determinada maneira, eu gostaria de liberar isso.” Largando de mão essa vontade de consertar as coisas, de mudar as pessoas, deixando Deus fazer, nós mudamos nosso mundo interior o que causa uma mudança também no mundo externo.
Ser 100% responsável é um caminho de pedras, por ser o intelecto tão insistente. Quando nos ocorre um problema o intelecto sempre busca alguém ou alguma coisa para culpar. Insistimos em procurar fora de nós a origem dos nossos problemas. 

A kahuna* Morrnah Simeona, professora do Dr. Len, ensinava que; ”Estamos aqui somente para trazer Paz para nossa própria vida, e se trazemos a Paz para nossa vida tudo em nossa volta descobre seu próprio lugar, seu ritmo e Paz.”. 
Esta é a essência do processo Ho’oponopono.

*”Kahuna” em Havaiano significa “guardião do segredo”


Fonte: http://www.hooponopono.ws/o-que-e.php

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O QUE É E COMO SE CONSTRÓI “O CORPO DE DOR”




Para a maioria das pessoas, quase todos os pensamentos costumam ser involuntários, automáticos e repetitivos. Não são mais do que uma espécie de estática mental e não satisfazem nenhum propósito verdadeiro. Num sentido estrito, não pensamos- o pensamento acontece em nós.
“Eu penso” é uma afirmação simplesmente tão falsa quanto “eu faço a digestão” ou “eu faço meu sangue circular”. A digestão acontece, a circulação acontece, o pensamento acontece.
A voz na nossa cabeça tem vida própria. A maioria de nós está à mercê dela; as pessoas vivem possuídas pelo pensamento, pela mente. E, uma vez que a mente é condicionada pelo passado, então somos forçados a reinterpretá-lo sem parar. O termo oriental para isso é carma.
O ego não é apenas a mente não observada, a voz na cabeça que finge ser nós, mas também as emoções não observadas que constituem as reações do corpo ao que essa voz diz.
A voz na cabeça conta ao corpo uma história em que ele acredita e à qual reage. Essas reações são as emoções.
A voz do ego perturba continuamente o estado natural de bem-estar do ser. Quase todo corpo humano se encontra sob grande tensão e estresse, mas não porque esteja sendo ameaçado por algum fator externo- a ameaça vem da mente.
O que é uma emoção negativa? É aquela que é tóxica para o corpo e interfere no seu equilíbrio e funcionamento harmonioso.
Medo, ansiedade, raiva, ressentimento, tristeza, rancor ou desgosto intenso, ciúme, inveja- tudo isso perturba o fluxo da energia pelo corpo, afeta o coração, o sistema imunológico, a digestão, a produção de hormônios, e assim por diante. Até mesmo a medicina tradicional, que ainda sabe muito pouco sobre como o ego funciona, está começando a reconhecer a ligação entre os estados emocionais negativos e as doenças físicas. Uma emoção que prejudica nosso corpo também contamina as pessoas com quem temos contato e, indiretamente, por um processo de reação em cadeia, um incontável número de indivíduos com quem nunca nos encontramos. Existe um termo genérico para todas as emoções negativas: INFELICIDADE.
Por causa da tendência humana de perpetuar emoções antigas, quase todo mundo carrega no seu campo energético um acúmulo de antigas dores emocionais, que chamamos de “corpo de dor”.
O “corpo de dor” não consegue digerir um pensamento feliz. Ele só tem capacidade para consumir os pensamentos negativos porque apenas esses são compatíveis com seu próprio campo de energia.
Não é que sejamos incapazes de deter o turbilhão de pensamentos negativos- o mais provável é que nos falte vontade de interromper seu curso. Isso acontece porque, nesse ponto, o “corpo de dor” está vivendo por nosso intermédio, fingindo ser nós. E, para ele, a dor é prazer. Ele devora ansiosamente todos os pensamentos negativos.
Nos relacionamentos íntimos, os “corpos de dor” costumam ser espertos o bastante para permanecer discretos até que as duas pessoas comecem a viver juntas e, de preferência, assinem um contrato comprometendo-se a ficar unidas pelo resto da vida.
Nós não nos casamos apenas com uma mulher ou com um homem, também nos casamos com o “corpo de dor” dessa pessoa.
Pode ser um verdadeiro choque quando- talvez não muito tempo depois de começarmos a viver sob o mesmo teto ou após a lua-de-mel – vemos que nosso parceiro ou nossa parceira está exibindo uma personalidade totalmente diferente. Sua voz se torna mais áspera ou aguda quando nos acusa, nos culpa ou grita conosco, em geral por uma questão de menor importância.
A essa altura, podemos nos perguntar se essa é a verdadeira face daquela pessoa – a que nunca tínhamos visto antes- e se cometemos um grande erro quando a escolhemos como companheira. Na realidade, essa não é sua face genuína, apenas o “corpo de dor” que assumiu temporariamente o controle.
Seria difícil encontrar um parceiro ou uma parceira que não carregasse um “corpo de dor”, no entanto seria sensato escolher alguém que não tivesse um “corpo de dor” tão denso. O começo da nossa libertação do “corpo de dor” está primeiramente na compreensão de que o temos.
É nossa presença consciente que rompe a identificação com o “corpo de dor”. Quando não nos identificamos mais com ele, o “corpo de dor” torna-se incapaz de controlar nossos pensamentos e, assim, não consegue se renovar, pois deixa de se alimentar deles. Na maioria dos casos, ele não se dissipa imediatamente.
No entanto, assim que desfazemos sua ligação com nosso pensamento, ele começa a perder energia.
A energia que estava presa no “corpo de dor” muda sua freqüência vibracional e é convertida em “presença”.

Texto de – Eckhart Tolle

sábado, 31 de janeiro de 2015

O Arquétipo do Sabotador

Este arquétipo tem várias faces: pode ser “o crítico”, “o perfeccionista”, “a vítima”, “o prestativo”, “o viciado em trabalho”, “o racional”, “o ansioso”, “o hiperativo”, “o controlador”, “o esquivo”.


É um arquétipo difícil de entender, porque o seu nome está associado à traição. Contudo, o propósito deste arquétipo não é sabotar-te, mas ajudar-te a aprender os muitos modos pelos quais tu te enfraqueces. Com que freqüência põe planos novos em movimento e acabas por não fazer nada por causa dos medos que arruínam esses planos otimistas? Ou começas uma relação nova e a seguir destrói-la porque começas a imaginar um resultado doloroso? Ou começas uma relação de trabalho com outra pessoa e dás por ti, uma vez mais, numa luta de poder, que poderia ser resolvida pacificamente, mas entra no mesmo padrão destrutivo porque temes a outra pessoa?
Os medos do Sabotador estão relacionados com a baixa auto-estima que o obriga a fazer escolhas que bloqueiam a sua própria capacitação e sucesso. Precisas de enfrentar este arquétipo poderoso, que todos nós possuímos, e fazer dele um aliado. Quando fizeres isso, descobrirás que ele chama a tua atenção para situações nas quais estás em perigo de ser sabotado, ou de te sabotares a ti próprio. Uma vez que te sintas confortável com o Sabotador, aprende a ouvir e a atender as suas advertências, poupando-te o desgosto de cometer sempre os mesmos erros. Se o ignorares, o Sabotador sombra manifestar-se-á na forma de comportamentos autodestrutivos ou no desejo de prejudicar outros.
Para aprenderes a dar-te conta da ação do Sabotador dentro de ti, faz estas perguntas a ti próprio:
• Que medos têm maior autoridade sobre mim? Lista três.
• O que acontece quando um medo se apodera de mim? Torna-me silencioso?
• Eu permito que as pessoas falem por mim?
• Eu aceito algumas coisas por medo que de outra forma não aceitaria?
• Eu deixei que oportunidades criativas passassem por mim?
• Quão consciente estou eu no momento em que me estou a sabotar?
• Eu sou capaz de reconhecer o Sabotador nos outros?
• Eu poderia oferecer conselhos a outros sobre como desafiarem o seu sabotador? Nesse caso, quais seriam?
in ~Sacred Contracts~ Caroline Myss
Tradução Irene Crespo

Fonte: http://corpoinconsciencia.com/2013/10/15/o-arquetipo-do-sabotador/

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A habilidade de se auto-acolher após uma discussão



É nos momentos em que nos desentendemos com os outros que mais temos que nos entender conosco mesmo. Afinal, o desconforto com o outro nos leva a sentir nossa própria desarmonia. Diante de tais situações, o melhor é saber se recolher, dar a si a oportunidade de aumentar a sua compreensão da situação antes que a situação se torne caótica demais.

Toda negatividade se origina de um certo descontentamento. Mas, muitas vezes procuramos a raiz desse descontentamento no lugar errado. Polarizamos os conflitos. Sobrecarregamos pessoas e situações com tantos defeitos que nem nos damos conta que fazemos parte deste conflito.

Não é fácil escutar o descontentamento alheio sem se deixar contaminar pelo próprio desconforto. Por isso, quando uma discussão torna-se apenas um desabafo agressivo, o melhor é refletir antes de sair acusando o outro disto e daquilo. Saber se auto-observar e suportar o silêncio, gerado após de uma descarga de insatisfações de ambas as partes, requer a habilidade de se auto-acolher. Nestes momentos, buscar apoio em nós mesmos nos dá a chance de reconhecer nossas próprias falhas.
O problema surge quando não sabemos como nos auto-acolher. Pois buscamos no outro a base de nossa segurança. Naturalmente, não é fácil encontrá-lo disponível para nos receber, se há pouco havia uma enxurrada de insatisfações. Mas, se estivermos acostumados a depender do estado emocional alheio para nos sentirmos bem, instintivamente começaremos a tentar transformá-lo para que ele possa nos atender em nossa necessidade de ser visto e acolhido. O outro, pressionado por nosso desejo secreto de mudá-lo, pode reagir negativamente e se tornar ainda mais indisponível. A essa altura ambos irão se sentir desconfortáveis sem saber bem o porquê. Afinal, todo esse processo de buscar se acalmar nas condições emocionais alheias ocorre, na maioria das vezes, sem que ambos estejam conscientes de suas carências e intenções. 
Aqui ocorre um grande perigo: Quando não temos a nós mesmos para nos acolher acusamos o outro de não estar pronto para nos receber.

Surge, então, o ressentimento de não ter recebido a atenção que se buscava. É como diz a psicanalista Maria Rita Kehl: O ressentido acusa, mas não está seriamente interessado em ser ressarcido do agravo que sofreu. Afinal, ele não quer liberar o outro de sua punição, quer continuar secretamente a transformá-lo para que ele se adapte as suas demandas.
Lama Michel Rinpoche em seus ensinamentos nos alerta: Agredir o outro é uma forma de auto-agressão. Pois a agressão nos impede de elaborar a nossa raiva interiormente. O quanto o outro quer lhe agredir é uma questão dele, mas o quanto nos deixamos ser agredidos é uma questão nossa.

Numa discussão, aquele que quer mais agredir é o mais fraco interiormente. Quanto mais elaboramos a nossa raiva interiormente, menos precisamos do outro para extravasá-la. Mais uma vez, podemos reconhecer que quando não nos acolhemos perdemos a chance de nos encontrar!

Os mestres budistas nos lembram que o que nos deixa doentes não é o fato de não expressarmos a nossa raiva, mas, sim, o apego ao desejo intenso de expressá-la. É o apego a esse desejo que devemos nos libertar. Para tanto, temos que nos acolher, escutar nossos próprios ressentimentos, faltas e insatisfações. Até sentir o calor da discussão passar...
Uma vez equilibrados, agora, está na vez de acolher o outro. Como?

Uma vez estava muito magoada com algo que um amigo me disse, e Lama Gangchen Rinpoche me falou: Não escute as palavras, elas são apenas a mente. Escute além das palavras. Assim, você vai encontrar o coração e, de coração para coração, algo acontece. Passo a passo.


Texto de Bel Cesar