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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

CAUSA ÚNICA


Com o relutante consentimento paterno, saí para me encontrar com Jitendra, já em Benares, no eremitério. À minha chegada, o jovem chefe, Swâmi Dayananda, cumprimentou‑me cordialmente. Alto e magro, de aspecto pensativo, ele me impressionou de modo favorável. Sua bela face tinha a serenidade de um Buda.
Foi agradável encontrar, em minha nova residência, um sótão onde eu dava um jeito de passar as madrugadas e as manhãs. Os membros do áshram, conhecendo pouco de práticas meditativas, pensavam que eu deveria empregar meu tempo inteiro em tarefas de organização. Elogia­ram‑me por meu trabalho, às tardes, no escritório.
‑ Não procure capturar Deus tão depressa! ‑ Esta zombaria de um residente do eremitério, acompanhou uma de minhas partidas mati­nais para o sótão. Dirigi‑me a Dayananda, ocupado em seu pequeno santuário com vista para o Ganges.
‑ Swâmijí, não entendo o que se exige de mim, aqui. Busco a percepção direta de Deus. Sem Ele, não me posso satisfazer com filia­ção a um grupo ou execução de boas obras.
O eclesiástico de túnica alaranjada deu‑me uma palmadinha afetuo­sa. Arremedando uma censura, repreendeu alguns discípulos que esta­vam próximos: Não aborreçam Mukunda. Ele aprenderá nossos costu­mes.
Cortesmente, ocultei minhas dúvidas, Os estudantes deixaram a sala, sem se mostrarem visivelmente humilhados pela reprimenda. Daya­nanda tinha ainda outras palavras para mim:
_ Mukunda, vejo que seu pai lhe envia dinheiro regularmente. Devolva‑o, por favor; você não necessita dele aqui. Uma segunda regra para sua disciplina refere‑se à comida. Mesmo que sinta fome, não o diga.
Se a privação de alimentos cintilava em meus olhos, não o sei. Que eu estava com fome, sei‑o perfeitamente. A primeira refeição no eremi­tério ocorria invariavelmente ao meio‑dia. Em minha casa, eu fora acos­tumado a tomar um substancioso lanche às nove da manhã.
As três horas de intervalo tornavam‑se diariamente mais interminá­veis. Passado era o tempo em que, em Calcutá, eu podia repreender a cozinheira por um atraso de dez minutos. Agora eu tentava controlar meu apetite; completei um jejum de vinte e quatro horas. Com deleite redobrado, aguardei o meio‑dia seguinte.
‑ O trem de Dayanândají está atrasado; não comeremos antes de sua chegada. ‑ Jitendra trouxe‑me estas notícias desoladoras. Num ges­to de amável acolhida ao swâmi, cuja ausência se prolongara por duas semanas, prepararam‑se muitas iguarias. No ar se difundia um aroma apetitoso; só este me sendo oferecido, que outra coisa poderia eu engo­lir senão meu orgulho pelo jejum de ontem?
‑ Deus Senhor, apressa o trem! ‑ O Provedor Divino, pensei, dificilmente poderia ser incluído na proibição com que Dayananda me silenciara. A atenção de Deus concentrava‑se, entretanto, em algum ou­tro lugar; o relógio, em andar penoso, cobria as horas. A escuridão des­cia quando nosso dirigente entrou pela porta. Cumprimentei‑o com trans­parente alegria.
‑ Dayanândají tomará banho e meditará antes de podermos servir a refeição. ‑ Jitendra aproximou‑se de mim outra vez como pássaro de mau agouro.
Eu estava à beira de um colapso. Meu jovem estômago, desabitua­do à privação, protestava com vigor corrosivo. Imagens que eu vira, de vítimas da fome, repassavam diante de mim como almas penadas.
“O próximo falecimento por inanição em Benares é previsto para este eremitério, e agora mesmo”, pensei. A ameaça condenatória foi sus­tada às vinte e uma horas. Enfim, soava a convocação para a ambrosia! Em minha memória, permanece nítida aquela refeição noturna, como uma das horas perfeitas de minha vida.
A absorção intensa não me impediu de observar que Dayananda comia, com o espírito ausente. Ele estava, evidentemente, acima de meus prazeres grosseiros.
‑ Swâmijí, o senhor não tinha fome? ‑ Venturosamente saciado, eu me encontrava a sós com o dirigente em sua sala de estudos.
‑ 01), sim ‑ respondeu ele. ‑ Passei os últimos quatro dias sem comer nem beber. Nunca me alimento nos trens, saturados, como estão, de vibrações heterogêneas de gente mundana. Observo rigorosamente as regras shástricas dos monges de minha Ordem. Certos pro­blemas nossos, de organização de nosso trabalho, permanecem em mi­nha mente. Esta noite, negligenciei meu jantar. Por que a pressa? Ama­nhã tratarei de fazer uma refeição mais completa.
Minha vergonha era tanta que me sufocou. Mas o dia de tortura que eu passara não fora tão facilmente esquecido; arrisquei outro co­mentário:
‑ Swâmijí, sinto‑me embaraçado em seguir suas instruções. Su­pondo que eu nunca peça e que ninguém me dê comida, morrerei de inanição.
‑ Pois então morra! ‑ Este conselho alarmante explodiu no ar. ‑ Morra se for preciso, Mukunda! jamais acredite que você vive pelo poder do alimento e não pelo poder de Deus! Ele, o criador de toda espécie de nutrição, Ele, que conferiu o apetite, providenciará os víve­res para Seu devoto. Não pense que é o arroz que o sustenta, nem que o dinheiro ou os homens garantem sua subsistência. Poderiam eles aju­dá‑lo se Deus lhe retirasse o sopro da vida? Eles são apenas instrumen­tos divinos. É por alguma habilidade sua que a comida digere em seu estômago? Use a espada de seu discernimento, Mukunda! Corte os elos dos agentes intermediários, e perceba a Causa única!
Senti estas incisivas palavras me penetrarem até a medula dos os­sos. Desvanecia‑se uma secular ilusão de que os imperativos do corpo suplantam os da alma. Naquela hora e lugar, saboreei a integral suficiên­cia do Espírito. Em quantas cidades estrangeiras, em minha vida poste­rior de viagens incessantes, tive ocasião de pôr à prova a serventia des­ta lição, aprendida num eremitério de Benares!


Fonte: AUTOBIOGRAFIA DE UM IOGUE - PARAMAHANSA YOGANANDA

Se ligue em você

Nós sempre fomos educados para conviver com o mundo exterior que é, sem dúvida, importante, mas o seu mundo interior - o das sensações, emoções e sentimentos - também é e, na maioria das vezes, está abandonado.
Quanto mais conhecimento você adquire acerca do seu mundo interior, mais condições possui para melhorar a sua capacidade de interferência na vida, obtendo cada vez mais realizações. A vida é um tabuleiro de xadrez onde você faz o papel das peças e, por mais complexo que seja o jogo, só pode aprender jogando.
Todo real problema que alguém possa ter, reside no fato de não saber usar as ferramentas que a natureza lhe deu. Não existem defeitos no homem. O que existe é ignorância em usar os próprios atributos.
Se alguém pode fazer algo por você, é você mesmo.
A vida é a sequência consciencial das sensações do aqui e agora. Vida é um processo contínuo, uma mudança constante. Se você observar a natureza, verá as mudanças acontecendo a todo instante. Você é a natureza. Você está num processo de mudança, num continuum.
A vida é experiência, é aprendizado, e quanto mais você tornar-se apto a dirigi-la, seguindo a ordem natural das coisas, mais sucesso ela lhe trará.
Consciência é o fenômeno da atenção. Quanto mais lúcida e clara ela estiver, mais você conhecerá suas reais habilidades e limitações. Assim, você não se deixará impressionar por muitas coisas que hoje, talvez, o impressionem, causando mágoas, raiva, dor e culpa. A consciência lúcida é a percepção das coisas com clareza e profundidade. Será que o modo como você percebe as coisas é verdadeiramente a realidade?
Você é o grande laboratório e arquiteto da sua vida. Nela, só você pode saber o que é verdade ou não, o que serve ou não, o que realmente acontece com você.



Extraído do livro Se ligue em você de Luis Antonio Gasparetto

sábado, 30 de outubro de 2010

Carregando o Passado



O PATO E A MENTE HUMANA

Em meu livro “O Poder do Agora”, observei que quando dois patos entram em luta, algo que nunca dura muito tempo, eles logo se separam e nadam em direções opostas. Então, cada pato bate vigorosamente as asas, assim liberando a sobrecarga de energia que se havia acumulado para a luta. Depois disso, eles seguem nadando tranquilamente, como se nada houvesse ocorrido.

Se o pato tivesse uma mente humana, mentalmente ele manteria viva a luta, seja focando o pensamento nela ou construindo uma estória mental sobre ela. Esta seria, provavelmente, a estória do pato: “Eu não acredito, ele simplesmente fez! Ele chegou a menos de cinco polegadas de mim. Ele pensa que esta lagoa é só dele. Ele não tem nenhuma consideração pelo meu espaço privativo. Eu nunca confiarei nele de novo. No futuro, ele há de tentar alguma outra coisa para me aborrecer. Eu tenho certeza de que ele já está planejando isso agora mesmo. Mas eu não vou tolerar isso. Eu lhe  vou ensinar uma lição que ele jamais esquecerá.” E, continuadamente, a mente desenvolve tal estória, pensando e falando sobre ela por dias, meses e, quem sabe, até anos depois. Dessa forma, do ponto de vista do corpo a luta prossegue, e a energia gerada em resposta a todos aqueles pensamentos resulta em emoção, que, por sua vez, resulta em mais pensamentos sobre algo que não mais existe. Isso se torna o pensamento emocional do ego.  Você pode constatar quão problemática seria a vida do pato, se ele tivesse uma mente humana. Mas é justamente esta a forma como os humanos vivem, o tempo todo. É como se nenhuma situação ou evento chegasse a terminar. A mente e a “estória-feita-pela-mente” não deixam que eventos difíceis [já esgotados] cheguem ao fim. [...]


CARREGANDO O PASSADO 

A inabilidade ou a má-vontade da mente humana para liberar o passado é muito bem ilustrada na estória de dois monges Zen, Tanzan e Ekido, que caminhavam por uma picada aberta no campo, muito lamacenta em razão de fortes chuvas. Perto de uma vila, eles cruzaram com uma jovem que tentava atravessar a picada, mas não conseguia fazê-lo, porque a lama estava tão funda que arruinaria o kimono de seda que ela usava. Tanzan imediatamente carregou a jovem e a levou até o outro lado da picada.

Os monges continuaram seu caminho em silêncio. Cinco horas depois, quando eles já estavam à porta do templo para onde se dirigiam, Ekido não mais se conteve: “Por que você carregou a moça para atravessá-la? Não se espera de nós, monges, que façamos isso!”
“Eu parei de carregá-la horas atrás”, disse Tanzan. “Por que você ainda a está carregando?”

Agora, imagine o que seria a vida para alguém que todo o tempo vivesse como Ekido, impossibilitado - ou não desejoso - de “soltar” eventos duros do passado, acumulando internamente mais e mais material ruim – e você vai-se deparar com a vida, como é vivida pela maioria das pessoas no planeta. [Esteja atento: LIBERTE-SE!]


Texto de Eckhart Tolle

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Como receber amor?


Em novembro de 2009, Rinpoche esteve em Campos do Jordão para realizar uma série de cerimônias para abençoar o novo Templo Lama Gangchen do Grande Amor. Foram cinco dias consecutivos de entusiasmo, alegria e reflexão. No último dia, fiz-lhe uma pergunta que creio ser de todos nós: por que temos dificuldade de receber amor? Aqui transcrevo minha pergunta e sua resposta:

Bel: Todos nós queremos receber amor. Não temos dúvida disso. Mas, na realidade, temos dificuldade de receber amor, mesmo tendo muita atenção. Parece que isso torna-se cada vez mais difícil. Podemos notar que as crianças e os adolescentes estão cada vez mais carentes. Devido à dificuldade de receber amor, nos tornamos fechados e arrogantes, mesmo sem nos dar conta que desta forma ferimos e afastamos aqueles que nos cercam. Parece que algo profundo em nosso interior está bloqueado. Porque nós recebemos amor, mas não conseguimos assimilá-lo. Será que não conseguimos reconhecê-lo? Como fazer para abrir a nossa mente-coração para receber amor?

Lama Gangchen Rinpoche: Essa é uma questão muito importante. Com muito significado e muito útil. Mas, não é bem uma pergunta. É algo que temos que praticar para obter a resposta. Como praticar?

Em primeiro lugar, precisamos aceitar aquilo que nos chega. Sabemos que isso não é fácil, mas precisamos aprender, de um modo geral, a aceitar. Para mim, é fácil fazer isso porque as pessoas são muito gentis comigo: aceitam o que eu proponho, me trazem sempre algo para comer, beber, me ajudam a pôr o sapato. Todos estão sempre me ajudando, onde quer que eu vá. Algumas pessoas até ficam com ciúmes de mim por isso. Elas observam e perguntam aos seus parceiros:Você trata o Lama Gangchen tão bem, porque não faz o mesmo comigo?

A dificuldade, tanto em dar e como em receber amor, não é um problema da natureza dos pais, das crianças ou dos adolescentes, mas sim de nossa cultura, que busca excessivamente a liberdade sem cultivar a gentileza.

A democracia é um sistema excelente. Está OK buscar libertar-se daquilo que nos oprime. Nós, no budismo, também estamos buscando a liberdade quando queremos atingir a iluminação para nos libertar do sofrimento.

O problema é que estamos contaminados por uma cultura de violência, quer dizer por uma educação de violência. Esta não é uma questão apenas dos pais, mas de nossa cultura que usa os cinco sentidos de modo violento.

Em geral, nosso modo de olhar é violento. É muito difícil receber algo de quem num certo momento nos olha ou nos olhou de modo negativo. Temos que mudar o modo como usamos nossos lindos olhos. Se olharmos para os outros com gentileza, eles irão receber facilmente o que estivermos lhes oferecendo.

Existem tantas formas de amor, com diferentes níveis e nomes. Com o nosso olhar, podemos tocar as mais diversas formas de amor. Mas nós não costumamos dar atenção a isso.

Procurem olhar com amor.

Se nosso olhar é negativo, fazemos mal aos nossos próprios olhos. Primeiro, ficamos com dor de cabeça, depois nossos olhos ficam vermelhos e acabamos usando óculos escuros. Na realidade, passamos a usar óculos escuros porque temos vergonha de nosso olhar violento.

Precisamos aceitar que precisamos fazer esta mudança.

Podemos observar também como não temos dificuldade de receber amor quando alguém nos dá algo com gentileza. Quando os Lamas, os médicos e os terapeutas oferecem algo com gentileza, vocês recebem sem dificuldade. Portanto, vocês sabem receber!

Também, quando oferecemos algo, muitas vezes o fazemos de uma maneira violenta. Como queremos que assim as pessoas recebam o que estamos querendo dar?

Existe a gentileza de dar, assim como a de receber. É preciso em ambos os lados sejam gentis um com o outro. Quando isso ocorre recebemos amor sem dificuldade. Precisamos nos reeducar neste sentido.

O mesmo ocorre com a maneira como tocamos uns aos outros. O toque violento nos faz sentir muito mal, enquanto que ser tocado com amor nos traz um enorme bem estar.

Em geral, falamos e escutamos com violência. Por isso, nossa tendência é a de negar e de reagir contra o que os outros nos dizem. Estamos fechados, bloqueados para escutá-los até quando eles têm algo bom para nos dizer, assim como temos dificuldade de passar algo positivo, pois percebemos que os outros não estão receptivos para o que queremos lhes oferecer.

Em geral, dizemos: Sim, sim, mas depois fazemos do jeito que queremos. Nossa mente está fechada. Como estamos bloqueados para os outros, não recebemos seu amor.

O problema está em nossa atitude mental e não em nossos cinco sentidos. Por isso, precisamos observar como nossa mente está se expressando por meio deles.

Então, para praticar receber amor temos que cuidar da maneira como usamos nossos cinco sentidos.

Temos tantas meditações, mantras, mudras e visualizações poderosas com os quais podemos usar mesclar a nossa mente com os nossos sentidos de maneira positiva.

Desta maneira, temos a esperança de aprender a receber. Espero que vocês tenham recebido o que eu lhes ofereci aqui estes dias!

Certa vez, me perguntaram: Como você faz para manter a atenção das pessoas o dia inteiro sentadas te escutando? Quando usamos os cinco sentidos de forma pacífica, espontaneamente recebemos a mesma energia positiva que retorna para nós mesmos.Se usarmos nossos cinco sentidos de maneira positiva, estaremos automaticamente praticando a generosidade, porque tudo que nós fizermos será de benefício.

Nossa esperança está em cultivar uma cultura de não-violência. O medo é um sentimento muito forte em nossa sociedade, mas se usarmos nossos cinco sentidos de forma pacífica, faremos uma bela maquiagem em nossa mente. Poderemos nos sentir bem tanto a sós como em grupo. Ficaremos cada vez mais bonitos! Teremos boa conexão com nossa família e com nossos amigos, além de um bom relacionamento com todos os seres.


Texto de Bel Cesar

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A Diferença entre cobrar e receber amor

Todos nós conhecemos a necessidade de amar e ser amado. No entanto, quando esta necessidade se torna carência, há algo extra a ser alertado: estamos vulneráveis e desequilibrados. A origem da carência afetiva encontra-se em nossa dificuldade para receber amor. É como estar com fome e não ter estômago para digerir. Mas, como será que nosso "estômago afetivo" tornou-se tão pequeno? Fomos nos alimentando cada vez menos, à medida em que o alimento emocional tornou-se escasso ou invasivo. Em outras palavras, fomos instintivamente diminuindo nosso estado de receptividade ao associar a experiência de receber amor a vivências de insuficiência, abandono ou de um controle excessivo. Se nos sentimos manipulados ao receber alimentos, presentes, elogios, carícias e incentivos, associamos a idéia de receber com o dever de retribuir algo além de nossa capacidade ou vontade pessoal. Quem não se lembra de ter escutado advertências como: "Agora você já deve se comportar como um menino grande" ou "Se você comer todo jantar, pode comer a sobremesa...".
Estas frases parecem inocentes, mas revelam os condicionamentos pelos quais passamos a aprender que receber modula nosso modo de ser.
Filhos de pais intrometidos e controladores desde cedo aprendem a conter seus desejos, pois sabem que ao revelarem suas intenções acabarão tendo que abandonar seus planos para realizar as vontades de seus pais. Para garantir fidelidade frente aos seus desejos e gostos, diferentes de seus pais e orientadores, acabam se contraindo cada vez mais - por um instinto de autopreservação, necessário no processo de autoconhecimento e autoconfiança, distanciam-se de seus pais para conhecer a si mesmos.
Desta forma, com a intenção de nos proteger do excesso ou da falta de atenção diante de nossas necessidades de amarmos e sermos amados, fomos nos fechando, isto é, formando camadas protetoras contra os ataques diante à nossa vulnerabilidade. Este processo sutil e delicado tem um efeito bastante grave: ao estar mais atento no que estou recebendo do que no que desejo, acabo aprendendo a dar mais atenção ao mundo exterior que às minhas reais necessidades.
A necessidade de ser amado faz parte de nosso instinto de sobrevivência, portanto é algo natural, enquanto seres que vivem em sociedade. Mas em nossa sociedade materialista onde autonomia é sinônimo de maturidade, muitas vezes esta necessidade é vista como um sinal de imaturidade ou infantilidade. Vamos esclarecer este preconceito: amar só se torna infantil quando se torna uma exigência unilateral: quando queremos apenas ser amados.
Estranhamente, quando quero algo do outro, deixo de perceber a mim mesmo. Quando preciso do outro, passo a controlá-lo. Então, ao invés de expressar o meu amor, passo a cobrar por atenção. No lugar de dizer que amo, digo o que falta no outro para me sentir amada.
Quantas discussões entre casais, pais e filhos estão baseadas nesta troca de intenções!
Vamos exemplificar melhor este drama. Quando o parceiro se distancia, por razões alheias à sua parceira, ela se sente abandonada. Então, no lugar de dizer: "Quero estar mais próxima de você", ela diz: "Você está distante!". Este seu modo de alertar o outro de sua carência é defensivo. Ela não está sendo aberta, nem transparente, pois detrás de sua reclamação há um desejo de controlá-lo, para que ele seja do modo como ela quer. Ele, sentindo-se pressionado, perde a espontaneidade e afasta-se cada vez mais. Ela sentindo-se carente, se torna refém da atenção dele!
Quando nos tornamos refém do comportamento alheio, deixamos de estar conectados ao nosso sentimento de amar e esperamos apenas ser amados. Em outras palavras, deixo de perceber o que estou sentindo em relação a ele e apenas me atenho ao que ele está demonstrando sentir em relação a mim. A expressão do afeto se contrai sob a pressão e gradualmente ambos perdem a espontaneidade.
Há uma diferença entre expressar claramente o que se quer e cobrar indiretamente o que se necessita. No momento em que simplesmente expresso meu desejo, desobrigo o outro de atuar. Assim, ele já não se sente mais pressionado a mudar e torna-se naturalmente disposto a retomar a relação.
Ao perceber nossas verdadeiras necessidades, desejos e intenções, liberamos o outro da carga de adivinhar o que secreta e indiretamente desejamos. Deixamos de imaginar o que precisamos e passamos a sentir nossas reais necessidades.
Este processo exige auto-observação. Muitas vezes, dar-se conta de algo que nos falta dói mais do que imaginávamos. Perceber nosso bloqueio em saber receber pode ser uma surpresa maior do que pensávamos. Mas, a cada momento que percebo uma limitação interior tenho a chance de mudar. Como?
Começando por admitir que receber é bom. Não é uma ameaça. Só a experiência pode nos afirmar o que queremos ou não. Precisamos aprender a sermos sinceros com nossas necessidades frente aos desejos alheios. Isso ocorre quando nosso sim é um sim verdadeiro.
Não precisamos deixar de ser quem somos ao receber algo intencional de outra pessoa. Não precisamos usar máscaras sociais comportando-nos como é esperado de nós. Nem nos sentirmos insuficientes e inadequados se não estivermos em condições de retribuir. Podemos ser autênticos!
Nos sentimos amados quando o outro nos aceita tal como somos.  
Portanto, dar amor é abrir-se para receber o amor que o outro tem para lhe dar. 
Dar um espaço de si para acolher o outro em seu interior.


Texto de Bel Cesar 

GRATIDÃO

Revelação Divina da Grande Harmonia



Reconcilia-te com todas as coisas do céu e da terra.
Quando se efetivar a reconciliação com todas as coisas do céu e da terra, tudo será teu amigo.
Quando todo o Universo se tornar teu amigo, coisa alguma do Universo poderá causar-te dano.
Se és ferido por algo ou se és atingido por micróbios ou por espíritos baixos, é prova de que não estás reconciliado com todas as coisas do céu e da terra.
Reflexiona e reconcilia-te.
Esta é a razão por que te ensinei,outrora, que era necessário te reconciliares com teus irmãos antes de trazeres oferenda ao altar.
Dentre os teus irmãos, os mais importantes são teus pais.
Mesmo que agradeças a Deus, se não consegues, porém, agradecer aos teus pais, não estás em conformidade com a vontade de Deus.
Reconciliar-se com todas as coisas do Universo significa agradecer a todas as coisas do Universo.
A reconciliação verdadeira não se dá nem, pela tolerância nem pela condescendência mútua.
Ser tolerante ou ser condescendente não significa estar em harmonia do fundo do coração.


A reconciliação verdadeira será consolidada quando houver recíproco agradecer.
Mesmo que agradeças a Deus, aquele que não consegue agradecer a todas as coisas do céu e da terra não consolida a reconciliação com todas as coisas do céu e da terra.
Não havendo a reconciliação com todas as coisas do Universo, mesmo que Deus queira te auxiliar, as vibrações mentais de discórdia não te permitem captar as ondas da salvação de Deus.
Agradece à Pátria.Agradece a teu pai e tua mãe. Agradece a teu marido ou a tua mulher. Agradece a teus filhos. Agradece a teus criados. Agradece a todas as pessoas. Agradece a todas as coisas do céu e da terra. 
Somente dentro desse sentimento de gratidão é que poderás ver-me e receber a minha salvação. 
Como sou o Todo de Tudo, estarei somente dentro daquele que estiver reconciliado com todas as coisas do céu e da terra. Não sou presença que possa ser vista aqui ou acolá . Por isso não me incorporo em médiuns. Não penses que chamando por Deus através de um médium Deus possa se revelar.
Se queres chamar-me, reconcilia-te com todas as coisas do céu e da terra e chama por Mim.
Por que sou Amor, ao te reconciliares com todas as coisas do céu e da terra, aí então, Me revelarei.


(Revelação Divina da noite de 27 de setembro de 1931 ao Mestre Masaharu Taniguchi)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

FRASES MOTIVADORAS E REFLEXIVAS

Nenhum vento sopra à favor de quem não sabe onde ir. (Senêga)

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O segredo é não correr atrás das borboletas, cuide do seu jardim e elas virão até voce!" (William Shakespeare)


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"Amo a liberdade, por isso... Deixo as coisas que amo livres ...Se elas voltarem é porque as conquistei, ...Se não voltarem é porque nunca as possuí." (Antoine de Saint-Exupéry )

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"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim." (Chico Xavier)


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Todas as coisas são difíceis antes de se tornarem fáceis. J. Norley.

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Plante seu jardim e decore sua alma...você aprenderá que a vida realmente tem valor e que você, tem valor diante da vida." (Shakespeare)

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Nada é permanente, senão a mudança. Heráclito.

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Todo dia, o sol se põe em nosso passado, mas nasce para o nosso futuro. Sempre que perdemos 24 horas, ganhamos mais 24 horas. Cada novo dia nos dá uma outra chance de fazer certo as coisas, e de fazer certas coisas. A escolha só depende de nós.

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"Você vê coisas e diz: "Por quê?" Mas eu sonho coisas que nunca existiram e digo: "Por quê não?" Robert Kennedy

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".....Tentar não significa conseguir. Mas, certamente, todos os que conseguiram tentaram..."

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